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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O Amor

Em 2025 já dizia assim:

Encontrei o amor da minha vida.

Já lá vão mais de dez anos que nos conhecemos. Namoriscamos na altura, mas não passou disso. Fui eu que achei que não era apropriado dois colegas de trabalho namorarem e achei que era velha demais para um moçoilo tão jovem e dinâmico. No dia em que terminamos esse primeiro namoro choramos os dois.
Mas a chama ficou sempre acesa. Quando ele passava por mim no trabalho tinha sempre uma palavra simpática para me dar, um elogio, um sorriso que lhe iluminava o olhar. E a mim, confesso, saltava-me o coração, tinha borboletas na barriga, e perguntava-me quem iria ter a sorte de capturar aquele rapaz para a vida a dois.
Os anos passaram, e eu, infelizmente, passei por uma situação de doença, que me fez estar internada três anos numa instituição de saúde longe de casa. Não é que este príncipe (só posso chamá-lo assim) me visitava todas as semanas? A determinada altura eu perguntei-lhe: em que ponto está a nossa amizade?! Foi então que começamos a namorar oficialmente.
Hoje dou por mim cada dia mais apaixonada. Cada dia mais enternecida com os gestos de bondade e cumplicidade deste Homem que me irradia com a sua felicidade e com o seu optimismo. Confio cegamente nele. Sinto a falta dele quando não está. Sinto-me segura no seu abraço, e feliz quando vou para a cama enroscada no seu corpo. Sinto que sou uma felizarda quando, diariamente ele me repete "amo-te muito".
Tenho medo de não chegar aos calcanhares da sua generosidade e brilho. Mas esforço-me, diariamente, por isso.
Quero casar contigo meu amor. Nem que seja num post-it à moda da Anatomia de Grey.
Que estes anos que passamos juntos se prolonguem até à nossa velhice, quando estivermos encarquilhados e de bengala e as nossas recordações forem as fotografias que vamos tirando e que exibimos com orgulho perante as nossas famílias. Que os nossos sorrisos se prolonguem por uma vida. Que o nosso sonho de sermos felizes se vá tornando real a cada momento. E que eu te faça feliz, mesmo vivendo com a minha doença, porque tu, mais que ninguém, mereces essa felicidade.
Dou-te a minha mão, o meu coração, e o meu corpo. Entrego-me por completo a ti e ao nosso amor.
Que cada dia seja sempre mais feliz que o anterior, e que o nosso amor floresça e renasça a cada nascer do sol.
Amo-te.

Bárbara de Sotto e Freire

O Amor

"Para escutarmos as palavras do Amor, é preciso deixar que ele se aproxime.

O Amor é livre e a sua voz não é regida pela nossa vontade ou pelo nosso esforço.
O verdadeiro Amor, porém, é aquele que seduz e jamais se deixa seduzir.
O Amor transforma, o Amor cura. Mas às vezes constrói armadilhas mortais.
As pessoas que amam à espera de serem amadas estão a perder o seu tempo.
O Amor é um ato de fé, e não uma troca.
São os conflitos que permitem que o Amor continue ao nosso lado.
A vida é demasiado curta para escondermos no nosso coração palavras importantes.
Mesmo quando o Amor não aparece, continuamos abertos à sua presença. Nos momentos em que a solidão parece esmagar tudo, a única forma de resistir é continuar a amar.
O maior objetivo da vida é amar. O resto é silêncio.
É melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado.
Amamos porque o Amor nos liberta.
Aprendemos a dizer "não", sem considerar essa palavra como algo amaldiçoado.
A prendemos a dizer "sim" sem temer as consequências.
O nosso coração está aberto ao amor e entregamo-lo sem medo, porque já não temos nada a perder.
Então, quando regressamos a casa, descobrimos que alguém já ali estava à nossa espera, procurando o mesmo que procurávamos e sofrendo as mesmas angústias e ansiedades.
Amor é apenas uma palavra, até ao momento em que decidimos deixar que nos possua com toda a sua força.
Amor é apenas uma palavra, até que alguém chega para lhe dar um sentido.
Não desistas. Geralmente é a última chave no porta-chaves que abre a porta."

in Manuscrito encontrado em Accra
Paulo Coelho
 
Já escrito em 2025, mas perfeitamente atual

Bárbara de Sotto e Freire

terça-feira, 6 de outubro de 2026

As cicatrizes e os ciclos da minha vida

A minha trajetória tem sido moldada por ausências profundas e por combates silenciosos. Cresci com a marca do abandono paterno e sob o olhar de uma mãe que, embora lutasse como uma supermulher, não conseguia projetar grandes horizontes para o meu futuro. Ao mesmo tempo, vi o meu irmão afastar-se do nosso núcleo, escolhendo a corporação dos bombeiros como a sua verdadeira família.

Durante mais de quatro décadas, resguardei-me na crença de que a minha mãe seria o meu porto seguro, o meu refúgio inabalável. Contudo, aos 45 anos de vida, fui confrontada com uma realidade dolorosa: a existência de dois pesos e duas medidas no seu amor e dedicação. Há alguns meses, ao pedir-lhe um simples auxílio para passar lençóis a ferro — uma tarefa com a qual ironicamente não me consigo entender —, ela cedeu, mas não sem antes verbalizar o peso da sua tendinite e o desgaste dos seus ossos. Em contrapartida, assisto agora, em silêncio, ao tratar de cestos transbordantes de roupa, sem uma única queixa de cansaço. Sentir esta disparidade provoca-me uma revolta legítima; no entanto, vejo-me na contingência de assistir a tudo de braços cruzados. Para não alimentar discórdias e preservar a paz familiar, emudeço a minha voz e limito-me a ser espetadora deste filme injusto que se desenrola diante dos meus olhos.
Reconheço que o passado também guarda as minhas próprias falhas. Houve momentos em que não procedi da melhor forma com a minha mãe. Noutros, ela considerou que a minha sanidade exigia um internamento. Assim se passaram três longos e dolorosos anos da minha vida, num processo penoso de recuperação psicossomática e reintegração social. No meio de tanta gente que circulava por aquela instituição, o que eu realmente habitava era uma solidão avassaladora.
Foi nesse deserto emocional que o Renato se revelou. Sendo apenas um amigo na altura, transformou-se no meu farol, visitando-me piamente todos os domingos. Até que, a 11 de outubro de 2015, ganhei a coragem de o questionar sobre o nosso rumo. Com um misto de timidez e esperança, ele perguntou-me: "Namoramos?". O meu "sim" selou o início da nossa história.
Desde então, temos caminhado lado a lado e, este ano, paira sobre nós o plano de trocar alianças, oficializando o nosso compromisso. No entanto, a proximidade deste passo definitivo fez desabar sobre mim uma avalanche de incertezas. Sinto uma saudade imensa da paixão vibrante do nosso início, daquela chama que nos unia e que, com o passar do tempo, parece ter esmorecido. Hoje, fomos engolidos por uma rotina que nos transformou muito mais em companheiros e grandes amigos do que propriamente em namorados. Essa apatia mútua assusta-me e traz-me um medo devastador: o medo profundo de o magoar, a ele, que sempre foi o meu apoio mais sincero.
Enfrento agora um trabalho interior complexo e doloroso. Sei que preciso de redescobrir o espaço que o Renato ocupou no meu peito durante tantos anos. É um esforço duplo: por um lado, procuro desesperadamente reacender a chama da paixão perdida; por outro, tento pacificar o meu coração para aceitar e valorizar o amor nesta sua nova forma, mais calma, madura e serena.
Apesar da tempestade que hoje me habita, recuso-me a perder a esperança. Acredito convictamente que a vida é feita de ciclos. Sei que preciso de atravessar este deserto de dúvidas, de silêncios e de observação do outro para que, finalmente, possa emergir num novo ciclo de abundância, de verdadeiro amor e de profunda empatia.
Eu sei que te amo, Renato.

Bárbara de Sotto e Freire

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Cortar laços é sobreviver

"Às vezes cortar laços não é uma escolha... é sobrevivência.
Chega um momento em que as pessoas que você ama começam a custar a sua paz, seu respeito próprio e sua felicidade.
Você continua dando chances, dando desculpas e esperando que elas mudem, enquanto lentamente se perde no processo. A verdade é que nem todos que te machucam merecem ter acesso continuado a ti.
Algumas pessoas só levam, outras nunca valorizam, e outras vão continuar a partir o teu coração desde que continues a devolver-lhes.
Afastar-se não significa que você deixou de se importar; significa que você finalmente está cansado de sangrar por pessoas que nunca se importaram se você estava ferido.
A certa altura, tens de escolher entre salvar a relação e salvar-te a ti próprio.
E, às vezes, salvar-se a si mesmo, é a única opção que resta..."

Autor desconhecido

Bárbara de Sotto e Freire

Do fundo da alma

"É raro encontrar alguém que conheça não apenas quem somos, mas também tudo naquilo que tivemos de ultrapassar para chegar até aqui.

As nossas versões mais  bonitas.

As nossas inseguranças.

Os erros que nunca contamos.

As feridas que escondemos.

As escolhas que ainda não sabemos se nos orgulhamos.

Porque todos temos parte da nossa história que não mostramos a qualquer pessoa.

No último lugar que importa, as relações vão muito além do que é visível.

Há sentimentos que se revelam devagar.

Verdades que mudam perspectivas.

E momentos em que conhecer verdadeiramente alguém significa que essa pessoa tentou esconder.

Talvez amar alguém seja, em parte, ter coragem de conhecer a história inteira e não apenas os capítulos bonitos."


De Rute Coelho, citação do livro "No último lugar do mundo que importa"


Bárbara de Sotto e Freire

domingo, 4 de outubro de 2026

Maturidade Emocional

«Sempre tive muitos altos e baixos e a minha vida nunca coube naquela ideia de felicidade estável, serena e bem-comportada que nos apresentam como exemplo de equilíbrio.

Sempre fui muito intensa nas emoções  boas, na forma como me entrego ao que amo, na alegria quase infantil com que vivo aquilo que me entusiasma, e fui igualmente intensa na dor, no medo, na tristeza e em todos os momentos em que a vida me pareceu maior do que a força que eu tinha para a enfrentar.

Passei grande parte da minha vida a lutar contra as circunstâncias, a tentar controlar quilo que acontecia e exigir de mim uma calma que raramente combinava com o que eu estava a viver. Havia dias em que me sentia capaz de mudar tudo e outros em que mal consegui acreditar que alguma coisa pudesse mudar. Carreguei durante anos a vergonha dessas oscilações, como se devesse pedir desculpa por sentir tanto, como se uma mulher forte tivesse de permanecer emocionalmente direita enquanto a vida lhe mudava o chão de lugar.

Demorei a perceber que muitas das minhas quedas nasceram depois de demasiado tempo a aguentar, a calar, a adaptar-me e a continuar. O corpo  cansava-se, o coração chegava ao limite e eu ainda me perguntava por que razão já não conseguia manter a mesma boa disposição, a mesma esperança ou a esma capacidade de resolver tudo. Julguei-me muitas vezes no exto momento em que mais precisava de me tratar com cuidado.

continuo a ter altos e baixos, continuo a viver dias luminosos e outros em que me custa arranjar espaço dentro de mim para tanta coisa. A diferença chegou quando deixei de me abandonar sempre que uma emoção difícil aparecia. Já consigo ficar ao meu lado quando a tristeza demora, respeitar o cansaço antes dele se transformar em desespero e aceitar que a minha intensidade também guarda tudo aquilo que tenho de mais vivo, inteiro e verdadeiro.

Hoje já não procuro uma vida sem oscilações, mas uma forma mais gentil de atravessar cada uma delas. Aprendi que não preciso de estar sempre bem para estar a avançar, nem transformar cada dor numa lição imediata. Há dias em que simplesmente sobrevivo, e isso também conta. A paz começou quando deixei de lutar contra quem sou e passei a confiar que, mesmo no momentos em que e sinto perdida, continuo a merecer o meu próprio amor.

Passamos anos a tentar disfarçar aquilo que sentimos para parecermos equilibradas, fortes e capazes de lidar com tudo. Guardamos a tristeza, apressamos o cansaço, diminuímos a alegria e vigiamos cada mudança dentro de nós com receio de estarmos a sentir mais do que devíamos. A vida mexe conosco, há dias que nos levantam e outros que nos deixam sem saber onde pousar o coração.

Continuamos inteiras em todos eles.»

By Bárbara Pereira in Facebook


Bárbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O Despertar dos 45: Onde o Futuro Ganha Nova Cor

Para o mal dos meus pecados — ou talvez para o bem da minha própria história — a menopausa bateu-me à porta. O diagnóstico do médico de família apenas deu nome a uma tempestade que o meu corpo já sentia: a azia persistente, o peso que teima em aumentar há um ano, as dores que pesam nos ossos, o cansaço que rouba os dias, o sono que teima em não vir e, no cúmulo de tudo, o roubar o prazer da intimidade.

Ganhei um título novo e algo a que chamam "idade".
Não falo da idade dos 20 anos, essa juventude irreverente e cheia de escolhas das quais ainda hoje me arrependo. Nem falo dos 30, a era de construir família e colecionar momentos perfeitos com filtros de Photoshop no Facebook. Refiro-me à verdadeira idade dos "entas". Os 40 entraram na minha vida sem pedir licença, velozes e sem um guião definido, fazendo-me questionar o rumo do meu próprio futuro. E os 45? Esses chegaram com um travo amargo. Viver com as hormonas aos saltos, olhar para o espelho sem saber o que vestir para disfarçar o abdómen e sentir dores nos ossos que travam os meus movimentos faz-me perguntar: que perspectiva tenho eu agora?
A resposta é simples e bonita: a perspectiva de me reconstruir.
Esta fase não é o fim da linha, mas sim o início de uma era onde posso, finalmente, cuidar de mim com a prioridade que mereço. Os 45 anos trazem a maturidade que os 20 não tinham e a liberdade que os 30 não permitiam. Cada sintoma — da falta de lubrificação às dores no corpo — tem solução médica, seja através de tratamentos localizados, ajustes no meu estilo de vida ou terapias que devolvem o equilíbrio ao organismo.
O meu futuro não parou; ele está apenas à espera que eu mude o foco. Deixo de tentar esconder-me nas roupas e passo a procurar o bem-estar absoluto. É tempo de resgatar a minha energia, o meu sono, o prazer de namorar e a alegria de me mover. A vida aos 45 não perdeu o rumo — ganhou, finalmente, a profundidade que só as mulheres maduras sabem apreciar.

Bárbara de Sotto e Freire