Powered By Blogger

terça-feira, 3 de novembro de 2026

A vida é incrível

"A vida é incrível.

E depois é difícil e depois

é incrível novamente e

entre o incrível e o péssimo

a vida é comum e rotineira.

Respire o incrível.

Segure-se durante o 

difícil e relaxe e exale

durante o comum.

É apenas a vida...

Desoladora,

cuidadora,

incrível.

Difícil, comum.

E incrivelmente bela."


Obrigada, Bruna Maia


Bárbara de Sotto e Freire

Colo, ou a falta dele

"Porque é que duas pessoas se afastam, por dentro,  quando se casam, se convivem todos os dias, anos a fio?

Porque até conviverem mal se conheciam. Porque vão estando tão atulhadas de compromissos que a agitação lhes rouba espaço para repararem uma na outra e falarem sobre si, sobre a relação que têm e de todas as outras pequenas coisas que fazem parte dos seus dias.  Porque deixam de se reconhecer uma na outra e de se admirar mutuamente. Porque acumulam episódios chatos, feios ou dolorosos que não se resolvem dentro de si. Porque assumem que um casamento é, primeiro paixão; depois carinho; a seguir amizade; e , finalmente uma resignação que se encaminha para uma solidãozinha na presença de alguém... Porque o silêncio e uma bruma que desce depois de cada um dos dois sentir que nunca é escutado de forma a sentir-se entendido. Porque de tanta familiaridade se terá intimidade vai perdendo espaço, atenção e delicadeza. Porque cada um dos dois passa a não se sentir dentro do abraço do outro. E um beijo ou um abraço deixam de ser gestos mais íntimos que o sexo.

Por um bocadinho de tudo isto, um casamento, um casamento deixa de ser uma casa que nos aconchega e reconfigura-se como um abrigo que nos protege. E o ombro do outro deixa de ser o cantinho do mimo. E os cuidados (com brio e com ternura) que se passa a não ter, deixam de ser descuidos e tornam-se, sobretudo, pitadas de indiferença. E, com isso tudo, deixamos de nos sentir alindados e acarinhados. Sem espaço para lamúrias e queixinhas. Sem sitio onde se experimente  a liberdade de chorar ou onde se tenha colo. Sobretudo, colo. Muito colo! Os casamentos estragam-se por falta de colo!

Por vezes, a melhor forma de estarmos tristes é resignarmo-nos com a vida que temos. Que é uma forma de não se chorar nem de dizer que não estamos felizes.

Afinal, o que dói mais num casamento: as coisas más que vão acontecendo, os silêncios que se acumulam sobre tudo aquilo que seria essencial conversar ou reconhecer, à data de hoje, que a tristeza que sentimos não encontra um colo que a repare? A falta de colo, é claro. Houvesse colo, apesar de tudo o resto que magoa, e o desamparo passava a ter uma razão para nos casarmos todos os dias"

Eduardo Sá

Bárbara de Sotto e Freire

Desistir

"Um dia cansa

há um dia em que deixas de mandar mensagem.

Não porque deixaste de gostar mas porque te cansaste de ser sempre tu,

cansaste-te de esperar por respostas que chegam quando já não fazem sentido,

de inventar desculpas por quem nunca fez o mesmo por ti,

de acreditar que desta vez vai ser diferente...

e sabes qual é a parte mais difícil?

É perceber que não foi a falta de amor que nos afastou.

Foi a falta de reciprocidade.

porque ninguém desiste de quem ama de um dia para o outro.

As pessoas desistem aos poucos:

cada vez que se sentem esquecidas,

cada vez que se sentem uma opção,

cada vez que percebem que estão a lutar por uma relação que só existe porque elas continuam a segurá-la.

Até  que um dia

o amor continua lá,

mas a força para insistir já não.

E é nesse dia que percebes uma coisa:

nunca estiveste a desistir da pessoa

estiveste, finalmente, a deixar de desistir de ti."


André Nobre Duarte


Bárbara e Sotto e Freire