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domingo, 4 de outubro de 2026

Maturidade Emocional

«Sempre tive muitos altos e baixos e a minha vida nunca coube naquela ideia de felicidade estável, serena e bem-comportada que nos apresentam como exemplo de equilíbrio.

Sempre fui muito intensa nas emoções  boas, na forma como me entrego ao que amo, na alegria quase infantil com que vivo aquilo que me entusiasma, e fui igualmente intensa na dor, no medo, na tristeza e em todos os momentos em que a vida me pareceu maior do que a força que eu tinha para a enfrentar.

Passei grande parte da minha vida a lutar contra as circunstâncias, a tentar controlar quilo que acontecia e exigir de mim uma calma que raramente combinava com o que eu estava a viver. Havia dias em que me sentia capaz de mudar tudo e outros em que mal consegui acreditar que alguma coisa pudesse mudar. Carreguei durante anos a vergonha dessas oscilações, como se devesse pedir desculpa por sentir tanto, como se uma mulher forte tivesse de permanecer emocionalmente direita enquanto a vida lhe mudava o chão de lugar.

Demorei a perceber que muitas das minhas quedas nasceram depois de demasiado tempo a aguentar, a calar, a adaptar-me e a continuar. O corpo  cansava-se, o coração chegava ao limite e eu ainda me perguntava por que razão já não conseguia manter a mesma boa disposição, a mesma esperança ou a esma capacidade de resolver tudo. Julguei-me muitas vezes no exto momento em que mais precisava de me tratar com cuidado.

continuo a ter altos e baixos, continuo a viver dias luminosos e outros em que me custa arranjar espaço dentro de mim para tanta coisa. A diferença chegou quando deixei de me abandonar sempre que uma emoção difícil aparecia. Já consigo ficar ao meu lado quando a tristeza demora, respeitar o cansaço antes dele se transformar em desespero e aceitar que a minha intensidade também guarda tudo aquilo que tenho de mais vivo, inteiro e verdadeiro.

Hoje já não procuro uma vida sem oscilações, mas uma forma mais gentil de atravessar cada uma delas. Aprendi que não preciso de estar sempre bem para estar a avançar, nem transformar cada dor numa lição imediata. Há dias em que simplesmente sobrevivo, e isso também conta. A paz começou quando deixei de lutar contra quem sou e passei a confiar que, mesmo no momentos em que e sinto perdida, continuo a merecer o meu próprio amor.

Passamos anos a tentar disfarçar aquilo que sentimos para parecermos equilibradas, fortes e capazes de lidar com tudo. Guardamos a tristeza, apressamos o cansaço, diminuímos a alegria e vigiamos cada mudança dentro de nós com receio de estarmos a sentir mais do que devíamos. A vida mexe conosco, há dias que nos levantam e outros que nos deixam sem saber onde pousar o coração.

Continuamos inteiras em todos eles.»

By Bárbara Pereira in Facebook


Bárbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O Despertar dos 45: Onde o Futuro Ganha Nova Cor

Para o mal dos meus pecados — ou talvez para o bem da minha própria história — a menopausa bateu-me à porta. O diagnóstico do médico de família apenas deu nome a uma tempestade que o meu corpo já sentia: a azia persistente, o peso que teima em aumentar há um ano, as dores que pesam nos ossos, o cansaço que rouba os dias, o sono que teima em não vir e, no cúmulo de tudo, o roubar o prazer da intimidade.

Ganhei um título novo e algo a que chamam "idade".
Não falo da idade dos 20 anos, essa juventude irreverente e cheia de escolhas das quais ainda hoje me arrependo. Nem falo dos 30, a era de construir família e colecionar momentos perfeitos com filtros de Photoshop no Facebook. Refiro-me à verdadeira idade dos "entas". Os 40 entraram na minha vida sem pedir licença, velozes e sem um guião definido, fazendo-me questionar o rumo do meu próprio futuro. E os 45? Esses chegaram com um travo amargo. Viver com as hormonas aos saltos, olhar para o espelho sem saber o que vestir para disfarçar o abdómen e sentir dores nos ossos que travam os meus movimentos faz-me perguntar: que perspectiva tenho eu agora?
A resposta é simples e bonita: a perspectiva de me reconstruir.
Esta fase não é o fim da linha, mas sim o início de uma era onde posso, finalmente, cuidar de mim com a prioridade que mereço. Os 45 anos trazem a maturidade que os 20 não tinham e a liberdade que os 30 não permitiam. Cada sintoma — da falta de lubrificação às dores no corpo — tem solução médica, seja através de tratamentos localizados, ajustes no meu estilo de vida ou terapias que devolvem o equilíbrio ao organismo.
O meu futuro não parou; ele está apenas à espera que eu mude o foco. Deixo de tentar esconder-me nas roupas e passo a procurar o bem-estar absoluto. É tempo de resgatar a minha energia, o meu sono, o prazer de namorar e a alegria de me mover. A vida aos 45 não perdeu o rumo — ganhou, finalmente, a profundidade que só as mulheres maduras sabem apreciar.

Bárbara de Sotto e Freire