Para o mal dos meus pecados — ou talvez para o bem da minha própria história — a menopausa bateu-me à porta. O diagnóstico do médico de família apenas deu nome a uma tempestade que o meu corpo já sentia: a azia persistente, o peso que teima em aumentar há um ano, as dores que pesam nos ossos, o cansaço que rouba os dias, o sono que teima em não vir e, no cúmulo de tudo, o roubar o prazer da intimidade.
Ganhei um título novo e algo a que chamam "idade".
Não falo da idade dos 20 anos, essa juventude irreverente e cheia de escolhas das quais ainda hoje me arrependo. Nem falo dos 30, a era de construir família e colecionar momentos perfeitos com filtros de Photoshop no Facebook. Refiro-me à verdadeira idade dos "entas". Os 40 entraram na minha vida sem pedir licença, velozes e sem um guião definido, fazendo-me questionar o rumo do meu próprio futuro. E os 45? Esses chegaram com um travo amargo. Viver com as hormonas aos saltos, olhar para o espelho sem saber o que vestir para disfarçar o abdómen e sentir dores nos ossos que travam os meus movimentos faz-me perguntar: que perspectiva tenho eu agora?
A resposta é simples e bonita: a perspectiva de me reconstruir.
Esta fase não é o fim da linha, mas sim o início de uma era onde posso, finalmente, cuidar de mim com a prioridade que mereço. Os 45 anos trazem a maturidade que os 20 não tinham e a liberdade que os 30 não permitiam. Cada sintoma — da falta de lubrificação às dores no corpo — tem solução médica, seja através de tratamentos localizados, ajustes no meu estilo de vida ou terapias que devolvem o equilíbrio ao organismo.
O meu futuro não parou; ele está apenas à espera que eu mude o foco. Deixo de tentar esconder-me nas roupas e passo a procurar o bem-estar absoluto. É tempo de resgatar a minha energia, o meu sono, o prazer de namorar e a alegria de me mover. A vida aos 45 não perdeu o rumo — ganhou, finalmente, a profundidade que só as mulheres maduras sabem apreciar.
Bárbara de Sotto e Freire

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