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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Dos livros - I

«Uma das coisas que muita gente faz no verão é ler livros.
Durante o ano, a maioria confessa que passa os olhos por jornais e revistas, que consulta obras de referência necessárias às respectivas profissões, que gasta os olhos a ler papelada de índole profissional, que vai à net como quem bebe copos de água e lê o que conhecidos, mesmo que virtuais, por ali vão deixando. Os livros, propriamente ditos, vão-se lendo devagarinho, duas páginas de cada vez, antes de adormecer ou nas "secas" programadas. Mesmo sendo verdade que "nunca" como hoje a actividade editorial teve melhores dias, o facto é que se publica por surtos "coisas" que parece que as pessoas podem querer ler. Umas vezes são uma espécie de ensaio sobre as mil e uma maneiras de ter sucesso, de manter-se eternamente saudável ou jovem, de conquistar o par ideal ou melhorar a auto-estima. Outras, a aposta vai para as receitas de poupança, de investimento, de ganhar dinheiro, de profissões de futuro ou de visões economicistas razoavelmente defendidas. Há os livros de viagem com mapas, dicas sobre hotéis, restaurantes, actividades a experimentar e sítios a conhecer. Há os livros de culinária - que está na moda -, bonitos e que fazem salivar só de olhar para as fotografias das iguarias que nunca se chegarão a confeccionar. Sempre atraente é o nicho de livros dedicados às mães que já o são ou em vias de o ser e aos problemas prováveis dos respectivos rebentos. Há, depois, os livros quase técnicos, que ensinam de forma prática e fácil aquilo que parece inacessível nos grandes e caros compêndios. Sobram as crónicas curtas de personagens minimamente conhecidos que permitem opiniões sobre assuntos banais e alguns mais etéreos, e uma espécie de literatura de moda que, actualmente, se fascina com temas góticos em versão light, em rigor com vampiros apaixonados. Dizem os especialistas que há autores que vendem apenas pelo próprio nome, mesmo sendo duvidoso que os seus livros façam mais do que enfeitar estantes.
No meio disto, causa alguma surpresa que os pouquíssimos autores que até têm histórias para contar, ainda por cima bem contadas, continuem a existir, a escrever, a vender alguns livros e a ter algum público atento que os lê todo o ano. Até no verão.»
Isabel Leal
In Caras, 29 Agosto 2009
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O futuro não é aliado

«Partira confuso mas regressara lúcido. Muito do que antes era obscuro tornara-se agora evidente. Mal deixara aquela baía junto ao lago, o desejo de voltar para casa possuíra-o. Compreendia a justeza da decisão de Tinder, e de Baboo. Henry era um homem taciturno, cheio de dúvidas e preocupações, mas era também leal. (...) Muito do que acontecia no mundo era obra do acaso. (...) A vida era um enxame de acidentes à espera entre a copa de uma árvore, pronto a descer sobre qualquer criatura que passasse, para a comer viva. Nadávamos num rio de acasos e coincidências. Agarrávamos os acidentes mais felizes - deixando que a corrente levasse os outros. Encontrávamos um homem bom, com quem um cão ficaria em segurança. Olhávamos em redor e descobríamos a coisa mais invulgar do mundo sentada ao lado, olhando para nós. Algumas coisas eram certas - as que já tinham acontecido - , mas ninguém adivinhava o futuro. (...) Mas para todos os outros, o futuro não era aliado. cada pessoa tinha apenas a sua vida como moeda de troca. (...) De uma maneira ou de outra, havia de gastar a sua vida.»
A história de Edgar Sawtelle
David Wroblewski
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O tempo certo

«Quando se deixa passar o momento certo, quando alguém recusou algo tempo demais, quando algo nos é recusado tempo demais, esse algo chega forçosamente demasiado tarde mesmo que seja desejado com força e colhido com alegria.
Talvez tarde de mais não exista, apenas "tarde", e "tarde" seja melhor que nunca? Não sei.»
O Leitor
Bernhard Schilnk
Bárbara de Sotto e Freire

Fugir (da vida)

«Eu fugia. E sentia-me aliviado por poder fugir... Mas fugir não é somente partir, é chegar também a outro lado.»
O Leitor
Bernhard Schilnk
Bárbara de Sotto e Freire

domingo, 26 de abril de 2009

Descobri...

"Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente ordenada mas, pelo contrário, um sistema complexo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para não sucumbir ás minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim,que o amor não é um estado de alma mas um signo do Zodíaco."
Gabriel García Márquez
Bárbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia Mundial do Livro


Bárbara de Sotto e Freire

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Gratidão

"A dignidade de um homem não é medida pelas pessoas que tem em torno de si quando está no ápice do sucesso, mas pela capacidade de não esquecer as mãos que se estenderam quando mais precisava. Se essas mãos estavam sujas de sangue ou de suor, é igual: uma pessoa que está à beira do precipício não pergunta quem o está a ajudar a voltar para terra firme.
O sentimento de gratidão é importante num homem: ninguém chega muito longe se esquece aqueles que estavam ao seu lado quando precisou. E ninguém precisa de se lembrar que ajudou ou foi ajudado: Deus tem os olhos fixos nos seus filhos e filhas, recompensando apenas aqueles que se comportam à altura das bençãos que lhes foram confiadas."

O vencedor está só - Paulo Coelho
Bárbara de Sotto e Freire