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sábado, 25 de setembro de 2010

Desabafos - Setembro II



«Daqui a alguns anos estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Solte as amarras! Afaste-se do porto seguro! Agarre o vento em suas velas! Explore! Sonhe! Descubra!»

Mark Twain

Bárbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Guerreiros da Luz

Isto está deitado ao abandono.

Alegadamente por trabalho, deixei-me ir na onda de me consciencializar que não tinha muito tempo para bloguices e ia adiando para as folgas. Na folga adiava para a próxima folga, até que adiei para as férias. É facto que fui de férias, o portátil foi comigo, até andei pela Net, mas nada de posts. Achei que não era o tempo certo, o momento exacto. "Ah e tal, quando chegar!", pensava eu. Mas quando cheguei, voltei a adiar. Até hoje. Adiei durante alguns meses uma vontade irascível de teclar sem um propósito puramente racional, até que me dei conta que hoje preciso de acertar as contas emocionais comigo mesma.

Por vezes adiamos conversas difíceis. Conversas nas quais deixamos de estar na nossa zona de conforto e nos atravessamos num vazio do qual não sabemos o que esperar. Talvez apenas que vamos crescer mais um bocadinho, mesmo que isso seja doloroso, mesmo que não seja simpático, mesmo que seja estranho e alheio ao que até agora experimentamos.

Infelizmente não tenho um Dr encalhado ao meu nome, que me permitiria virar as costas e dizer basta, nem tenho uma herança de família que permita viver ás custas dos rendimentos. E lamento que nem todos tenham honestidade suficiente para serem felizes apenas por si próprios, sem ferir a susceptibilidade dos outros, nem pisar a liberdade dos que o rodeiam.

Gostaria de ser perfeita e insubstítuivel. Não o sou, nem nunca o serei. Erro, perco-me, e desvio-me do "verdadeiro" caminho daqueles a quem chamo Guerreiros da Luz. Mas tento lutar todos os dias por ser melhor. Melhor pessoa, e melhor profissional. Tento aprender todos os dias. E confesso ficar frustada, zangada, irada, comigo própria, quando cometo os mesmos erros do passado, quando não sou suficientemente perfeita, e quando não atinjo as metas a que me proponho. E fico igualmente zangada, quiça decepcionada, quando vejo que quem está ao meu lado não pára de me aponta defeitos sucessivamente, de um modo ora sorrateiro, ora (a)berrante, fazendo-me entristecer, deixar de sonhar, e pensar em desistir.

E hoje, pela primeira vez, eu disse-te. Disse-te frontalmente, com um tom de voz que nunca esperei manter, suave e seguro, que não permitia que o fizesses.

Disse-te hoje, pela primeira vez, como o deveria ter dito há muitos anos a algumas das personagens com que me confrontei ao longo da vida. Fi-lo hoje pela primeira vez. Sem ódio, nem raiva. Apenas com a sensação de que comecei a crescer tarde. Apenas com um turpor na alma que me deixa infeliz. Fi-lo e embora não saiba se tenho coragem para o repetir, prometo incessantemente a mim mesma que o voltarei a fazer se for necessário. Agora de um modo mais sábio, mais subtil, mais adulto, mais consciente, e sem medo.

Neste momento tenho a sensação de estar atafegada, apesar de não querer ninguém ao meu lado. Tudo esmorece, tudo é desilusão.

A partir de hoje deixarás de me ter ao teu lado para te proteger nas tuas lamúrias, e nos teus filmes inventados, que eu ouvia e dos quais ficava desgastada. Chega, basta.

Uma parte de mim ficou para trás. Ou não.

Mas acredita, que me ensinaste muita coisa.

Não sei até quando podemos adiar a nossa felicidade. Mas espero, que a partir de hoje, esse tempo se esbata.

Eternamente.
E assim começa o acabar do abandono do blog.
Bárbara de Sotto e Freire

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Desabafos - Fevereiro III

«Não há que ser forte. Há que ser flexível.»
Provérbio Chinês
Bárbara de Sotto e Freire

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Infelizmente é assim, mas não me conformo


Aqui vai.
Talvez sem muitos rodeios, tiro certeiro, dedo na ferida.

Vivo em Argoncilhe não vai há muitos anos. Quatro, mais coisa menos coisa.
Árgoncilhe, ou Vila de Árgoncilhe?! Pois é, fiquei a saber há cerca de quinze dias que existem em Portugal dois locais distintos, nenhum deles Argoncilhe, mas Árgoncilhe, e Vila de Árgoncilhe, nenhum deles uma freguesia a constar no mapa dos senhores (ou do senhor que me atendeu) da Assistência em Viagem.
Adiante. Em Argoncilhe, Santa Maria da Feira, Aveiro. Aí mesmo.
Desde que aqui vivo tenho-me deparado com particularidades no mínimo caricatas, que nos últimos meses, me têm levado a uma certa irritabilidade, vá.
Começo pelos contentores do lixo. Quando para cá vim morar não haviam contentores do lixo na minha rua. Qual o meu espanto, num concelho evoluído, não existirem contentores do lixo. Eu já não digo ecopontos (existe um na rua principal - que é muito extensa). Falo de contentores do lixo! Em 2009, há alguns meses atrás, instalaram na minha rua alguns contentores do lixo. Eh, que felicidade, viva a evolução e a limpeza!
Gostaria ainda de falar de saneamento básico, da rede de esgotos, mas como gostaria que a leitura se tornasse aprazível, não vou deitar a escrita para esse campo.
Ou talvez dos cartazes e da publicidade que na altura das eleições ficam tempos infinitos pendurados na rotunda do Picoto - bem perto de minha casa.
Como estou a falar dessa rotunda, aproveito para falar de estradas. É que essa mesma rotunda anda em obras. Até aí, tudo bem. Mas as obras deixaram a rotunda completamente esburacada durante meses. O meu carro avariou na famosa rotunda. O meu e muitos outros. E só depois de meses de buracos e obras, em que na rotunda se tinha de conduzir em primeira, é que se lembraram de a asfaltar. Vá lá! Mesmo assim aquela sinalização é um espectáculo! Só por quem lá passa!
E quem passa de carro na Rua de S. Domingos - e transversais - passa por trabalhos! São buracos inesperados, remendos mal feitos, estradas provisoriamente cortadas, desvios feitos à pressão!
Ah, e no cruzamento da nacional para essa mesma rua, a de S. Domingos, há uns semáforos, que de quando em vez (frequentemente) avariam. E só voltam a funcionar passado uma semana, ou então... quando há um acidente.
E a última das últimas novidades! Numa das transversais da Rua S.Domingos, que é uma rua sem saída, e onde há um bloco de prédios, o condomínio pintou os lugares de estacionamento. Ideia de aplauso! Qual o meu espanto quando ontem vejo que nessa mesma estrada a Protecção Civil pôs o sinal de estacionamento proibido. É claro que se fosse um condomínio chique, nada disto acontecia. Mas enfim. Chegam aqui, espetam o sinal no meio do jardim e vão-se embora. Não deixam explicação na caixa de correio, nada. Nicles. Até pensam que vou estacionar o meu carro no meu quarto, que por acaso fica no primeiro andar de um bloco de prédios, dessa rua sem saída. Ora bolas! Mas o mais caricato é que nesta rua sem saída estão dois mamarrachos, vulgo carros, a cair de podres, desde que para cá vim morar, isto é, há já uns anitos. Esses mesmos veículos, em visível estado de degradação, ocupam dois lugares de estacionamento (pelos vistos, agora, proibido!), mas de cá ninguém os tira, nem a polícia, nem a protecção civil, nem a junta, nem a câmara, nem o diabo a sete. Ora bolas, bolas!
Estou farta destas políticas sem jeito nenhum, e destas regras que são feitas para serem obrigatoriamente quebradas.
E quando me perguntarem onde vivo, não vou dizer em Argoncilhe. Porque Argoncilhe não consta do mapa. Vivo entre algures e nenhures.
Vou emigrar para Jerusalém.
E talvez, nem aí.
Tenho dito.
Bárbara de Sotto e Freire

Desabafos - Fevereiro I

Estamos em Fevereiro e ainda não me deste a minha prenda de Natal.
Não sei o que pense, mas sei o que sinto.
Em estado de sítio. A precisar de mudar.
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Viver de novo

«Se tivesse de viver de novo a minha vida, não procuraria ser tão perfeito. Relaxaria um pouco mais. Seria um pouco mais flexível. Não levaria tantas coisas a sério. Faria mais loucuras, não seria tão circunspecto, nem tão equilibrado. Aproveitaria mais as oportunidades, faria mais experiências, escalaria mais montanhas, nadaria em mais rios, contemplaria mais pores do sol, comeria mais gelados. Teria mais preocupações reais e menos imaginadas.
Eu fui um desses que vivem com um método e uma higiene absolutos, hora após hora, dia após dia. Um desses que não vão a lado nenhum sem um termómetro, uma camisola de lã, um produto para enxaguar a boca. Teria viajado mais leve. Faria mais excursões e brincaria mais com as crianças.»
Carta escrita por um homem de oitenta e cinco anos, na véspera da sua morte, dirigida aos seus netos.
«A vida é um banquete e a maioria dos malditos loucos morre de fome.»
Ele sabe que somos assim;Henrique Manuel
Bárbara de Sotto e Freire

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ás vezes

Ás vezes choramos sem razão. Ás vezes choramos com uma dor de alma profunda, como se a nossa alma só conhecesse um lado.
Ás vezes os dias correm mal.
Ás vezes sentimo-nos perdidos, sozinhos, nostálgicos.
Não suportamos ver ninguém, muito menos a nossa imagem no espelho.
Ás vezes não nos apercebemos do quanto as pessoas nos ferem, nos magoam, nos decepcionam. Quando muito, não nos damos conta, do quanto nos podemos decepcionar a nós mesmos.
Ás vezes os dias passam rápido.
Ás vezes não tomamos as decisões certas, no tempo devido.
Não amamos na mesma medida.
Ás vezes amamos tanto, que ficamos vazios.
Ás vezes sentimos que a nossa vida é feita apenas de despedidas, sem ter sido possível, alguma vez, gravar nos olhos da alma, os olhos de quem vai.
Ás vezes não gozamos o momento, não sorrimos genuinamente.
Ás vezes queremos mimo.
Ás vezes nem a carapaça da indiferença nos permite resistir aos mais afiados aguilhões.
Ás vezes é mais fácil enfiar a cabeça na areia, porque temos medo do desconhecido, temos medo de falhar. Falhar com os nossos sonhos e promessas de outrora. Ás vezes somos a nossa própria desilusão.
Ás vezes tornámo-nos os melhores. Ou os piores.
Ás vezes achamos que a vida só nos coloca obstáculos.
Ás vezes não somos suficientemente inocentes para acreditar na vida, e somos levianamente perspicazes levados a acreditar que alguém, um dia, nos poderá entender.
Bárbara de Sotto e Freire

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Manual da sobrevivência - I

"Também eu já
Senti não haver
Lugar ou espaço
Esperança para ter...
Também eu sei
Da raiva a nascer
Por tantos gritos
Ter que conter...
Mas sei também que fora de nós
Não há salvação
Resta-nos então
Dar asas ao que se inventa
Finge, esquece, engana o desencanto
Brinda, por ti, por hoje e por enquanto
Finge, esquece, engana o desencanto
Brinda, por ti...
Também eu já
Estive sozinha
Entre tanto fel
Erva daninha
(...)
Brinda, por ti..."
Manual da sobrevivência
Susana Félix
Bárbara de Sotto e Freire