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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Desabafos - Fevereiro II

Faltam exactamente dois meses e um dia. Ou então... faltam exactamente dois meses.
Tudo depende da perspectiva.
Passou exactamente um ano e quatro meses. Sinto MUITO a vossa falta.
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Há dias assim


Bárbara de Sotto e Freire

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fragilidade


Sempre que ouço Mafalda Veiga lembro-me de ti VM...
«Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós se precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera
Houvesse um canto para se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse como um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve
Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar
E é tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra e já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve»
Mafalda Veiga
Bárbara de Sotto e Freire

Solve et coagula


Bárbara de Sotto e Freire

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Páginas brancas

Há dias em que não me apetece viver. Apetece-me ficar enroscada, no meio de um cobertor fofo, qual gata borralheira, e estar ali. Vegetar, talvez. Não me quero mostrar esta monotonia, nem aos outros o aborrecimento que sou para mim mesma. Não pretendo ser eu, nem o meu outro eu, nem mais ninguém. Não quero pensar, nem escrever, nem tão pouco assistir a um espectáculo, pouco plausível, da vida. Da minha? Talvez.
Não sei se tenho amor para dar, porque desta vida não faço contas ao que levo. Cada dia é uma página branca em que vou escrevendo, por vezes mal, riscando alguns desenhos místicos, e ... e mais nada. Cada dia é apenas isso: uma página branca.
De facto quando não podemos culpar o destino, culpa-mo-nos a nós. Quando não podemos escolher viver, nem morrer, vamos andando, para onde a vida nos levar. Quando não podemos ser livres, somos livres de pensar. E de escrever. Num livro, diferente desse. O da vida.
E depois, com uma serenidade que atropela os mortais comuns, as páginas brancas em que nós veemente acreditamos tornam-se reais, e vivemos na realidade presos por um fio de sonho e outro de ilusão. Torna-mo-nos seres cheios de energia e vitalidade.
Há dias em que já não me apetece estar enroscada, qual letargia da metamorfose, mas antes preparada para enfrentar a aspereza destes dias que se atropelam, destas páginas brancas soltas, e em que, muitas vezes, não me apetece viver.
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Saudade


«Para sempre é muito tempo.
O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo.»
Mário Quintana

Barbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Muda de vida

«Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar.»

António Variações

Bárbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mar

"Homem livre, tu sempre gostarás do mar."
Charles Baudelaire
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Estado de espírito


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos

Bárbara de Sotto e Freire