segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Pensar e agir

«Se desejas tanto a liberdade e a felicidade, não vês que ambas estão dentro de ti? Pensas que a tens e a terás. Age como se fossem tuas e serão.»
Richard Bach
Bárbara de Sotto e Freire

Porque...

Tenho aquele magnífico postal na cómoda do meu quarto, e relembro-vos com saudade.

Saudade de dar volta a desistências, saudade de me sentir "frustada" com as mesmas. Saudade da boa disposição, do ânimo e do alento que é uma equipa atrás de telefones. Saudade de fazer rotas para os meus tecozinhos, e deles reclamarem. Saudade de uma jantarada, e da famosa vodka preta... ou água... Saudade de me chamarem princesa, Zázá, má, ou simplesmente BSF.

Porque há coisas que nunca se esquecem. Há coisas que nunca mudam...

«Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.»
Sophia de Mello Breyner Andresen
Bárbara de Sotto e Freire

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Há dias assim


Bárbara de Sotto e Freire

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Escrever é


«Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.»


Fernando Pessoa
Bárbara de Sotto e Freire

Na solidão dos dias que passam

Na solidão dos dias que passam
e no vento que sopra
pelos freios das janelas
e gela a alma doentia
que dói amargurada
sinto o perfume de um dia aqui e outrora
de nevoeiro espesso e cortante

Na permene existência do ser
e no brilho de uns olhos ofuscados
pela tristeza dos sonhos traídos
e desilusão de viver
a morte sentida

Esta chuva miúda e mesquinha
refresca-me o espirito
e atraiçoa-me para lá do que possa existir

O cheiro dos dias de nevoeiro
não passam de uma laceração
de quem é sádico
de quem é mórbido
de quem sabe o que custa viver
a vida saboreando a morte
fingindo brilhar num buraco negro

e os dias passam
com o vento
o cheiro do nevoeiro
a chuva miudinha
e a cor que os pinta
é o espantar da paz
como o monstro do SER
que aprisiona a vontade

aquela de ter a coragem
de dar um novo passo
e de esquecer
a tristeza
na solidão dos dias que passam
Bárbara de Sotto e Freire

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Pontapés

Desculpem, mas tenho de dizer isto. Hoje o dia foi... enfim, difícil...


«Há sempre alguém pronto a criticar, a deitar abaixo tudo e todos, mesmo que ninguém lhes faça sombra. Sentem como que prazer em fazê-lo.

Quem de nós não sentiu já na carne o aguilhão da crítica?Um aguilhão que pode inibir gestos e silenciar palavras?
Já lá vão uns anos uma mão amiga meteu debaixo da minha porta um daqueles posters feitos de uma espécie de tecido fino, onde se desenham e escrevem simpáticas frases (...).Conservo aquele poster atrás da porta da minha entrada. Visível para quem sai. Está ali como sinal de afecto, mas também como conselheiro. Diz:


ANIMA-TE! ...Se levares pontapés no traseiro é sinal que estás à frente!

Uma frase que resume aquilo que podia ser dito assim: não deixes que as críticas e as palavras maldosas te afastem dos objectivos a que te propuseste, tu és superior. Uma frase de alguma forma parecida com o ditado: "Só se atiram pedras ás árvores que dão frutos".

Nem sempre é assim. Seja como for, nós sabemos como somos vulneráveis ás críticas, ás observações sarcásticas e aos comentários mesquinhos dos outros. Algumas frases parecem pingar inveja, outras não passam de meras brincadeiras. Seja como for, podem ser o bastante para estragar o dia de alguém.(...)

A este propósito ocorre-me uma história:
Um dia Buda foi verbalmente atacado por uma homem. Pacientemente, ouviu todas as acusações que o homem tinha a fazer-lhe. Depois, e com uma serenidade funda no olhar e na voz, perguntou:
- Ouve, se alguém recusar um presente, a quem é que este pertenceria?
- Pois, a quem o ofereceu, respondeu o homem desconfiado.
- Muito bem - dise-lhe o Buda - não aceito o teu insulto.»


Henrique Manuel - Ele sabe que somos assim
Bárbara de Sotto e Freire

De facto é assim que pensamos (ou não!)



Imagem de glia

Bárbara de Sotto e Freire